Afonso Cunha

BIBLIOGRAFIA

Naturalidade – Penafiel (Bustelo), 26.01.1940.


Presbítero – 11.08.1968, por D. Moisés Alves de Pinho, em São Domingos de Rana, Carcavelos, concelho de Cascais.

Cargos – Recebeu a primeira nomeação para o Seminário das Missões, Godim, Régua, onde foi professor e subdiretor (1968). Foi alistado para o serviço militar (1971). Após o curso na Academia Militar de Lisboa, foi capelão, durante um ano, do Hospital Principal de Lisboa. Convidado a partir para São Tomé e Príncipe, foi o primeiro e último capelão militar daquele território sob a administração portuguesa. Regressou a Portugal, na véspera da independência das ilhas (1972 - 11.07.1975). 

Pároco de São Domingos de Rana, Carcavelos (1975-1980). Capelão da igreja de Santa Isabel, Lisboa (1980). Prior em São Brás de Alportel (entrada a 11.07.1981). Acumulou a paroquialidade de Santa Catarina da Fonte do Bispo (6.10.1984).

Vigário da Vara, da zona pastoral Loulé-São Brás (Decreto de 7.10.1989). Nomeado solidariamente, com o Pe. Jacinto Pereira Rosa, Administrador Paroquial de Cachopo (Provisão de 4.101990). Membro do Colégio de Consultores da Diocese do Algarve, por cinco anos (Decreto de 11.02.1991). Administrador Paroquial de Olhão (Provisão de 6.05.1991, a partir de 19.05.1991).

Pároco Solidário de São Brás de Alportel e Santa Catarina da Fonte do Bispo (Provisão de 7.01.1992, com entrada em vigor a 12.01.1992). Prior da Igreja de Olhão (24.08.1992), por um período de seis anos, com entrada em vigor no dia 4.10.1992 – 14.09.1997). Organizou a paróquia e fez renascer o jornal Farol do Sul. Realizou grande atividade junto das escolas do Ensino Básico. Foi capelão do centro de Saúde de Olhão. Vigário da Vara da zona pastoral de Faro-Olhão (1992).

Deixou Olhão por motivo de saúde (14.09.1997) e foi estudar para Paris. Regressou à antiga Paróquia de São Brás de Alportel (Setembro de 1998). Prior em São Brás de Alportel e de Santa Catarina da Fonte do Bispo (5.09.1998). Membro do Colégio de Consultores da Diocese do Algarve (1999). Vigário da Vara de Loulé-São Brás de Alportel (2001-2004).

Em São Brás de Alportel, desenvolveu grande atividade no campo religioso, cultural e social. Foi o grande dinamizador da Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel de que foi Secretário e atualmente é Vice-Provedor.

Construiu duas capelas, nos sítios (lugares) da Mesquita (15.03.1987) e nos Parises (17.05.1987). Fundou a Escola de Música Paroquial (1982), o Centro Cultural e Social da Paróquia de São Brás de Alportel (1984), o Grupo Juvenil de Acordeonistas de São Brás de Alportel, que já percorreu quase todo o país, a Casa da Cultura António Bentes, o Museu Etnográfico do Trajo Algarvio e restaurou a Procissão do Domingo de Páscoa.

Realizou encontros de Poetas Populares, os Jogos Florais de Aleluia e o concurso das Tochas Floridas, no dia de Páscoa (1983). Anualmente, organizou o Festival de Jovens Acordeonistas. Encontro de Charolas (Janeiras) na quadra natalícia. Na década de oitenta foi um dos baluartes da cultura no Algarve. A partir de 1983, iniciou a recolha etnográfica no concelho de São Brás de Alportel. Percorreu o Algarve recolhendo canções, tradições populares e objetos para um futuro museu. 

A Casa da Cultura António Bentes, fundada em 1987, onde também se instalou o Museu Etnográfico do Trajo Algarvio (atual Museu do Traje de São Brás de Alportel), é, presentemente, a maior área museológica do Algarve e possui a maior recolha algarvia de trajo popular, alfaias e carros agrícolas, objetos de barro e empreita e arte sacra popular. 

Para além do edifício principal, o Museu tem casas agrícolas (50 metros de comp.), onde estão em exposição permanente (400m2) o ciclo da cortiça, veículos tradicionais, cavalariça e forja do ferreiro. Contém ainda duas salas de exposições temporárias. Um alpendre (50 m de comp.) alberga mais de 20 carros de tração animal. Em, 2003, iniciou-se a construção de um edifício para recolha todo o acervo museológico, a fim de que o palacete existente seja destinado unicamente para exposições. A sua inauguração foi em 2006. É o único edifício em Portugal construído de raiz para receber a coleção de traje antigo. Tem cerca de 50m de comprimento com cave, r/chão e 1º andar.

O museu realiza desfiles etnográficos, exposições extemporâneas dentro e fora do Museu. Tem representado o Algarve em várias exposições nacionais. Tem já tem cerca de vinte mil peças inventariadas. Hoje é um ponto de referência para toda a comunicação social quando se fala das tradições algarvias e tem sido referenciado e estudada a sua estrutura por vários museus europeus. 

O Museu do Traje de São Brás de Alportel / Casa da Cultura António Bentes fez o levantamento de motivos decorativos tradicionais, existentes na arquitetura popular, gerou entre outros, uma base de dados digital de cerca de 5000 imagens do património arquitetónico da região e um núcleo de desenhos estilizados, que estão sendo utilizados em outras áreas, nomeadamente no campo do vestuário moderno e da moda.

Em face da inexistência, no concelho, de entidades vocacionadas para a área da arqueologia, foi encetada a recuperação de uma antiga via romano-medieval que se encontrava abandonada, estando neste momento em vias de ser reconhecida como uma das mais importantes do país. Explorou as grutas do Laranjeiro, na partilha do concelho com Olhão.


PublicaçõesNatal no Algarve – Raízes medievais, 2002, Colibri, São Brás de Alportel. «Cantares Tradicionais do Algarve», in Algarve - Tradições Musicais I, 1995. «Charolas Algarvias», «Canto das Almas» II, 1996. «A Festa da Páscoa, o Canto de Aleluia e a Procissão das Tochas», «Recolha Etnográfica», III, 1997, in Algarve - Tradições Musicais III, 1997, Grupo Santa Maria, Faro, e Casa da Cultura António Bentes, São Brás de Alportel.

«Traje Algarvio» in Traje Português, Lisboa, Inatel, 1989. Traje do Algarve – Orla Marítima, 2001, Museu Nacional do Traje, Lisboa.

Natal no Algarve. Raízes Medievais, onde apresenta, pela primeira vez, um estudo etnográfico sobre o ciclo do Natal. Uma parte da investigação refere-se ao Concelho de Tavira. Dá a conhecer os cantares do povo e os grupos de charolas do Concelho, uma recolha feita ao longo de 20 anos. Além disso, investiga a origem dos «pinta-santos» de Santa Catarina da Fonte do Bispo, Tavira, e realiza no concelho uma grande recolha de imagens do Menino Jesus. Fruto de uma recolha realizada ao longo de vinte anos (2002). 

Natal No Algarve II – Teatro, onde apresenta novos autos e a origem de outros recolhidos por Leite Vasconcelos (2006).

Páscoa no Algarve – Festa das Tochas Floridas, onde apresenta a evolução desta festa através dos Séculos, o concurso das tochas floridas e dos Jogos Florais de Aleluia de São Brás de Alportel (2010).

Corpo de Deus: Festa do Triunfo Eucarístico, origem e evolução da festa, 2016. Em preparação – Tradições Populares (Jogos, canções, orações, mezinhas, superstições, benzeduras, etc…)

Fundou o boletim paroquial Comunidade Paroquial, de São Brás de Alportel (17.03.1982). Farol, Boletim Paroquial de Nossa Senhora do Rosário de Olhão (1996). VilAdentro – Jornal mensal da Vila de São Brás de Alportel (Novembro, 1998). Tem colaboração em vários jornais, sobretudo em Diálogo Europeu, Folha do Domingo e VilAdentro.


Condecorações – A 10 de Outubro de 1988, recebeu a medalha de Ouro da cidade de Faro, pelo trabalho realizado no campo musical, nomeadamente na revitalização do tradicional acordeão algarvio: «Considerando que a sua ação como dinamizador cultural, sobretudo nos sectores museológico, etnográfico e musical em muito tem transcendido São Brás de Alportel com reflexos na nossa cidade. Considerando que pelas suas iniciativas, mormente ao que se prendem com a criação da Escola de Música Paroquial e do Grupo Juvenil de Acordeonistas muito tem contribuído para despertar na juventude da Região o gosto pela música e, particularmente, pelo acordeão. Considerando aos esforços que vem proficientemente empreendendo muito se fica a dever na recolha do trajo e de motivos musicais e corais algarvios. Proponho: Que a Câmara Municipal de Faro atribua a Medalha da Cidade ao Rev.do Padre José da Cunha Duarte, pároco de São Brás de Alportel e grande amigo da nossa Câmara. Que aquela distinção Municipal lhe seja entregue no decorrer da cerimónia a realizar no âmbito das Comemorações do Dia Mundial da Música. Faro, 16 de Setembro de 1988. O Presidente da Câmara, João Belo. 

Personalidade do Ano, no Algarve, pelo contributo prestado à animação cultural. Recebeu o Troféu da Cultura (1988).

Novamente distinguido como Personalidade do Ano pelo seu trabalho ao serviço da cultura algarvia (1989). 

Condecorado pela Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel pelo seu trabalho em restaurar esta instituição de que era Secretário (1991).

Atendendo ao trabalho desenvolvido no Concelho de Tavira no campo cultural, por proposta da Câmara Municipal, a Assembleia Municipal aprovou a atribuição da “Medalha Municipal de Mérito”, do grau prata, ao Padre José da Cunha Duarte, no dia 24 de Junho de 2006, no auditório da Biblioteca Municipal Álvaro de Campos.

No 1º Centenário do Concelho de São Brás de Alportel recebeu a maior condecoração deste Concelho, com a entrega da Insígnia Municipal de Honra (1.06.2014), pela sua ação no campo social, cultural e religioso.

Observações – É irmão gémeo do Dr. Pe. Afonso da Cunha Duarte. Passou a sua meninice em Penafiel até ingressar no Seminário das Missões do Espírito Santo, Godim-Régua, em 1953. Fez os estudos liceais no Seminário das Missões, do Fraião, Braga. Realizou os estudos de filosofia e teologia no Instituto Superior dos Missionários do Espírito Santo, Torre d’Aguilha, Carcavelos. 

Em São Tomé e Príncipe, desenvolveu grande atividade social e cultural. Para além da assistência religiosa aos militares, foi professor no liceu e secretário da Misericórdia local, e dedicou-se aos leprosos que viviam quase abandonados numa leprosaria. Organizou e realizou grandes festas no campo musical e teatral, no Comando Territorial. Como capelão militar, recebeu dois louvores pelo trabalho realizado. 

Em 1997-1998 estudou filosofia e teologia, no Institut Catholique de Paris. Aproveitou a ocasião para estudar e investigar no maior museu etnográfico da Europa – “Musée National des Arts et Traditions Populaires”, a origem medieval do presépio e charola algarvia, as festas e danças medievais e a moda do fim do Século XIX. 

Folha de Domingo, n.º 4643, de 30.06.06. Jornal Sotavento, n.º 347, de 30.06.06. Postal do Algarve, n.º 794, de 29.06.06

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